quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Petit Gateau e outras reclamações..e algumas sugestões!


Quase um mês depois, cá estou eu novamente..diretamente do Brasil, do sofá da sala da minha mãe! Coisa boa, nada como estar em casa...E agora é esse justamente o problema: aonde é a MINHA casa?
Estou aqui, estou feliz, mas sinto que minha vida está lá em Londres. Quando estou lá, estou feliz, mas sinto que parte do meu "coração" está aqui, no Brasil..
Quando acho que minhas inquietações acabaram, elas voltam, só pra me lembrar que, na verdade, sempre estiveram por perto.
Mas enfim, estes são meu últimos dias por aqui e o que posso dizer é que estou feliz. Passei um mês muito, muito bom ao lado das pessoas que eu amo e agora estou pronta, de baterias recarregadas pra voltar para a minha "outra vida", para a minha casa de lá. Para a minha cozinha.
Outro dia eu estava conversando com um amigo meu, que também é cozinheiro, sobre o quanto vale a pena ir morar fora. Não só na nossa profissão, mas acho que é algo interessante para todo mundo. É muito bom "ampliar o ângulo de visão", ver tudo sob uma nova perspectiva, sob o olhar "do outro". Pra quem trabalha na cozinha isso é muito importante. Lá, onde vivem pessoas de tudo que é parte do mundo, a gente tem a possibilidade de entrar em contato com muita comida diferente, com influências muito diferentes das que temos aqui. Sabores, combinações, composições...E quanto mais se vê, mais se prova, mais se aumenta a vivência, que é tão importante para um cozinheiro. Na hora de criar um prato, o leque de opções é muito maior. Eu não invento nada mirabolante, as coisas que crio são baseadas em coisas que já vi, senti, que já provei, já vivenciei.
Ficando sempre por aqui, a pessoa acaba não tendo essa amplitude. Fica difícil aumentar, digamos assim, " o repertório", quando se fica sempre no mesmo lugar.
No Brasil, principalmente no Sul, temos uma visão muito fechada, muito tradicional quando o assunto é comida.
Aqui mesmo, na minha casa, cada vez que tento fazer algo novo é uma briga. Eles sempre querem o de sempre: massa, pizza, carne,mousse de chocolate...Com o Adriano é a mesma coisa, não come nada que não saiba absolutamnte o gosto que tem. Não quer nem provar!!! Ou seja, coisas novas nem pensar..somente aquilo que já conhece desde que nasceu! Santa paciência, pra mim é completamente broxante.
Aqui, quem trabalha em restaurante sabe, não adianta querer variar muito, se tu não oferecer o de sempre (filé com molho disso, filé com molho daquilo, salmão com batata sauté, fettuccine aos quatro queijos, petit gateau de chocolate), perde a freguesia.
Por falar no (maldito) petit gateau de chocolate...eu tenho uma bronca desse negócio. Coisa chata, sem graça, enjoativa e fora de moda..mas não adianta, todos querem. Até lá em Londres, tentamos tirar do cardápio (porque nós, da cozinha, não aguentávamos mais olhar pra cara do tal do bolinho) mas não deu certo..depois de muito chororô por parte dos clientes, tivemos que colocá-lo de volta.
Gente, please, abram a mente..existem outras coisas que queremos mostrar e servir pra vocês. Outras sobremesas que são tão boas ou melhores que o petit gateau. Nos dêem a chance de criar, de inventar, de ousar...esqueçam desse bolo xarope e do tal do filé com molho madeira.
Mas calma, não estou falando que coisas tradicionais não sejam boas. Elas são ótimas e nos trazem sempre aquela sensação de conforto. Pra mim, por exemplo, não há nada mais "aconchegante" do que comer a massa feito em casa da minha mãe. Só o preparo já é um prazer, um retorno aos momentos de anos atrás, quando acordávamos no domingo e a mesa já estava cheia de massa secando, quase pronta pra ir pra panela. E então meu nonno vinha com aquele molho maravilhoso, que ele já estava cozinhando desde as seis da manhã...Molho de tomate, bem tradicional, delicioso! Aliás, nunca mais comi um molho tão gostoso quanto o que ele fazia.

Por hoje, fico por aqui. Deixo vocês com a foto da massa da minha mãe e com a idéia de sempre ir em busca de algo novo, de coisas que ainda não se viu, não se provou..isso alimenta a alma!
Beijos!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Brazilian Night no THE WET FISH CAFE, as fotos!






















Acabei de chegar em casa..o noite foi ótima e fiquei muito feliz com o resultado dos pratos. A "moqueca" e o "petit gateau de goiabada com veloutè de queijo" foram os que fizeram mais sucesso. Vou colocar as fotos na sequência de baixo pra cima: Mini bobó de camarão, Feijão tropeiro (entradas), Moqueca, Risoto de moranga com charque (principais) e Banana assada no mel com sorbet de açaí, Petit gateau de goiabada com velouté de queijo (sobremesas)






domingo, 7 de março de 2010

Brazilian Night no THE WET FISH CAFE - o cardápio


Depois de muito adiarmos, a nossa noite de música e comida brasileira vai acontecer no restaurante onde eu trabalho, o The Wet Fish Cafe.

Vai ser dia 15 de março, na outra segunda..tô super feliz e ansiosa! No mesmo dia que mandamos os emails anunciando a noite, os ingressos se esgotaram.

O mais legal de tudo é que quem vai tocar é o meu amore, o Adriano! Vai ser a primeira vez que vamos unir os nossos "talentos" e eu to super feliz que isso vai acontecer.

Já fiz o cardápio há quase um mês atrás. Desde o dia que decidimos a data, eu comecei a pensar no que eu gostaria de fazer, no que gostaria de servir. Fiquei em dúvida entre servir algo bem clássico, ou algo com ingredientes brasileiros, mas mais moderno...

Daí pensei..é claro que a nossa cozinha é maravilhosa, nossos pratos tradicionais como feijoada, moqueca, etc..são todos uma delícia..nossas sobremesas mega doces são as minha preferidas...ambrosia, pudim, brigadeiro, nhammmm....Mas, isso tudo é facilmente encontrado aqui em Londres em qualquer restaurante brasileiro.

Além disso, o The Wet Fish Cafe se caracteriza por não ser clássico..não fazemos nada muito tradicional. Fazemos uma comida simples, fresca, mas moderna...claro, sempre respeitando os princípios clássicos, mas sempre com alguma novidade.

Eu tava deitada na cama, tentando dormir, quando o menu se formou na minha cabeça...aliás, é assim que eu tenho as idéia mais legais..o mesmo aconteceu com o aligot (por falar nisso, o nosso "cheesy mash" vai entrar pro menu de primavera). Enfim, pulei da cama e fui escrever o cardápio..aqui vai ele, com muito carinho e com esperança de agradar a todos!

Depois do dia 15 eu coloco as fotos!!!


Entradas:

- Feijão tropeiro com vinagrete

- Mini bobó de camarão


Principais:

- Risoto de charque e moranga assada

- Moqueca (ok, um clássico tem que ter, mesmo porque eles amam moqueca)


Sobremesas:

- Banana assada com mel, sorbet de açaí e farofa de paçoquinha

- Petit-gateau de goiabada com veloute de queijo (Romeu e Julieta)



Gostaram?

Beijossssss

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O cliente tem sempre razão...


Será? Olha, acho que não concordo muito com isso não. Acho que o cliente tem razão, quando tem razão..mas SEMPRE é muito abuso.

Eu, como cliente, nunca fui abusada, nunca destratei ninguém nem agi como se "pudesse tudo" só porque estou pagando. Pelo contrário, sempre me coloquei do outro lado, do lado de quem está atendendo, servindo, cozinhando.

É claro que todos têm o direito de reclamar quando algo não é bem feito, ou de exigir que o serviço seja feito com qualidade, ainda mais quando se paga um alto preço por isso.

Mas não é a isso que me refiro. A minha bronca é com aqueles clientes que abusam desse "poder" e extrapolam. Já no Brasil isso me incomodava. Mas aqui em Londres isso é ainda pior. Não sei se é só no restaurante onde trabalho (que permite que eles sejam assim) ou se é algo geral, mas os clientes aqui são muito abusados.

Por exemplo, domingo passado foi Valentine´s Day (dia dos namorados) e elaboramos um cardápio especial para a data. O cardápio era composto por 3 diferentes pratos principais: um peixe, um cordeiro e um risoto. Recebemos uma ordem com dois peixes. Tudo certo, mandamos pro salão. Meio minuto depois o garçom volta e diz que o cliente "se confundiu" e pediu errado. O cliente, amado, não queria o peixe, ele queria o cordeiro.

E aí? o que fazer? Obviamente não vamos criar um climão em pleno Valentine´s Day e dizer pro cliente que se ele pediu errado, o problema é dele. Lá fomos nós fazer o cordeiro pro cliente querido.

E detalhe, isso aconteceu duas vezes na noite. Ou seja, eles erram e nós que temos que pagar? Eles se confudem e nós temos que jogar fora todo um prato e interromper o serviço (que estava indo perfeitamente bem) para refazer o pedido? Sinceramente? Não acho certo.

E, se eu fosse cliente (como muitas vezes sou) e pedisse algo por engano, ia até ficar chateada por comer algo que não estava nos meus planos, mas com certeza não teria a cara de pau de pedir pra trocar.

Acho isso um abuso e se um dia eu tiver meu próprio restaurante, não vou aceitar esse tipo de coisa. Claro, talvez sendo eu a dona, meu pensamento mude. É muito mais "negócio" jogar um prato de comida fora do que perder um cliente. Mas eu me incomodo não só por desperdiçar comida, ou por interromper o andamento do serviço, eu me incomodo por ter que aceitar esse tipo de coisa.

Outra coisa que me incomoda muito, e essa muitas vezes não aceito, é aquele cliente que pede "o filé, com as batatas que acompanham o peixe, com o molho do frango, mas sem creme de leite..ah, e dá pra colocar um pouquinho de arroz extra, por favor?"

Por favor digo eu! Não, não dá! E se quiser arroz, vamos cobrar uma porção extra!

Minha cozinha não é a casa da mãe Joana, onde cada um cria seu próprio prato e muda meu cardápio ao seu bel prazer. Alguma alteração pode até ser aceita, mas tudo tem limite. Por acaso está escrito no fachada do restaurante: Seja chef por um dia, monte seu próprio prato?

Não, não está escrito, então não inventa!

Ás vezes as trocas que eles pedem são tão terríveis e dariam num resultado tão desastroso que dá vontade de fazer, só por maldade, só pra eles aprenderem a não "inventar moda".

Aliás, a idéia de escrever esse post surgiu agora a pouco, depois que eu li o último texto que a Roberta Sudbrack postou no seu blog. Entre outras verdades, ela fala o seguinte:


"Não há como negar que nós, os cozinheiros, somos um pouco temperamentais demais, um pouco vaidosos demais, um pouco ditadores demais. Apegados demais às nossas receitas. Trocar batatinhas por um arrozinho pode não ser uma boa ideia. Dependendo do momento pode ser perigoso!"


Então, tentando não ser tão ditadora, eu até aceito, ás vezes, que me peçam alguma alteração, mas o bom senso tem que vir de ambas as partes...e o respeito também. Acho que isso está faltando por aqui, pricipalmente por parte dos comensais.




E a fotinho, e o Peach Melba com anglaise de pistache, que foi uma das sobremesas do Valentine´s Day!